É por isso que mandar sinais para aliens pode ser uma boa ideia

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Um dos métodos que os cientistas usam para tentar descobrir se estamos sozinhos no universo é apontar radiotelescópios para o céu a procura de sinais de civilizações alienígenas.

Esse é o papel principal do SETI, sigla em inglês para Busca por Inteligência Extraterrestre. No entanto, é um método relativamente passivo, no qual apenas nos sentamos e ouvimos os “barulhos” que podem vir lá de fora.

Até agora, tem sido só silêncio.

Por outro lado, o METI (Messaging Extra Terrestrial Intelligence, algo como “Enviando Mensagens à Inteligência Extraterrestre”) é um sistema proativo destinado a enviar uma mensagem para um lugar específico para dizer “olá” a potenciais aliens que estejam nos escutando.

Essa é uma boa ideia?

O conceito do METI é um pouco controverso. Alguns cientistas alertam que a estratégia poderia ser perigosa.

Por exemplo, o célebre físico teórico Stephen Hawking já disse que avisar alienígenas da nossa existência pode causar grandes problemas. Hawking sugere que os aliens avançados podem nos enxergar como bactérias irritantes, ou vir para a Terra para nos conquistar, de maneira semelhante à quando Cristóvão Colombo desembarcou nas Américas – o que não terminou bem para os povos nativos indígenas.

Por outro lado, outros cientistas alegam que tais reações são exageradas.

Douglas Vakoch, professor do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia e presidente do METI International, afirma que, quando se trata do risco potencial de enviar sinais para o cosmos, a percepção pública do perigo é excessiva.

“E isso é natural. Nosso cérebro está atrelado a prestar atenção a imagens vívidas de perigo – mesmo quando o risco alegado não é credível. Então, quando Stephen Hawking avisa que os alienígenas poderiam dizimar os terráqueos assim como os exploradores europeus conquistaram o Novo Mundo, essa imagem evocativa desencadeia nossos alarmes internos – mesmo que o cenário não seja logicamente consistente”, argumenta Vakoch ao portal Seeker.

Vakoch diz que não faz sentido que Hawking assuma que extraterrestres avançados têm a capacidade de realizar viagens interestelares (desta forma, chegando até a Terra para nos conquistar), mas não têm a capacidade de pegar nossos sinais de TV e rádio.

Nós já lançamos quase 100 anos de transmissões de rádio e televisão de nosso planeta para o espaço, em forma de radiação eletromagnética. Com esses sinais tendo agora viajado quase 100 anos-luz, a evidência de nossa existência já está espalhada pela galáxia.

Enviar mensagens é perigoso? Bom, nós já a enviamos. Se algum alien maléfico estiver nos ouvindo, não há nada que possamos fazer.

Com nosso crescente banco de dados de exoplanetas conhecidos, sabemos que existem milhares de planetas dentro de um raio de 100 anos-luz. E é bem provável que alguns desses mundos sejam parecidos com a Terra. “Qualquer civilização que tenha a capacidade de ouvir a nossa mensagem provavelmente já ouviu o nosso ‘vazamento’ e já sabe que estamos aqui”, sugeriu Vakoch.

Ao considerar os prós e contras do METI, Vakoch afirma que é importante usar os princípios da ciência – e não argumentos emocionais.
Um princípio da ciência é a importância de olhar continuamente para os pressupostos que impulsionam nossas ações, para ver se essas suposições são justificadas.

“Eu não conheço nenhum astrônomo realmente envolvido em estudos com o SETI que pensa que é perigoso transmitir sinais”, disse Vakoch. “Mas quando mesmo o cosmólogo mais brilhante do mundo [Hawking] evoca imagens que simplesmente não são plausíveis, criando temores que encerram pesquisas científicas inovadoras, precisamos dar um passo para trás e procurar uma maneira mais racional de avaliar a situação. Uma maneira de considerar seriamente os riscos do METI, e não apenas confiar em imagens terríveis de conquista alienígena”.

Na avaliação dos méritos de projetos como o METI, devemos usar um método científico experimentado e verdadeiro para fazer julgamentos lógicos: a revisão por pares.

“É crítico avaliar o projeto METI que está sendo proposto, para ver se vale a pena prosseguir”, explicou Vakoch. “Por exemplo, poderíamos testar uma versão da Hipótese do Zoológico, que afirma que a inteligência extraterrestre pode ser muito mais difundida do que imaginávamos – talvez habitando mesmo estrelas próximas -, mas que não estamos ouvindo nada porque eles exigem que tomemos a iniciativa de fazer contato. Podemos testar essa hipótese através da transmissão de sinais poderosos e intencionais para as estrelas mais próximas. Durante algumas décadas, podemos ver, muito concretamente, se recebemos respostas”.

Desde meados da década de 1970, houve cerca de duas dúzias de mensagens intencionais enviadas ao cosmos. Todas essas mensagens foram enviadas a um alvo específico no espaço. Vakoch disse que essa abordagem precisa ser modificada.

“No SETI, quando vemos um sinal e só o vemos uma vez, isso não é convincente”, explica. “Se outras civilizações têm o mesmo axioma que a ciência precisa ser repetível e verificável, nós deveríamos estar transmitindo repetidamente para sermos levados a sério”.

Além disso, os proponentes do METI dizem que as mensagens devem ser direcionadas às estrelas em nossa própria vizinhança. Em 1974, uma breve imagem simbólica foi transmitida para o conjunto de estrelas M13, a cerca de 25.000 anos-luz de distância.

“Em vez de enviar mensagens para onde demoraria 50 mil anos para obter uma resposta, devemos enviar mensagens a estrelas que estão mais próximas, de modo que, mesmo que demore uma década ou duas para ouvirmos de volta, poderíamos realmente começar a testar hipóteses”, argumentou.

Vakoch e outros pesquisadores que endossam o METI esperam organizar os primeiros esforços para enviar mensagens fortes, repetidas e intencionais aos sistemas estelares próximos em breve, mas sabem que precisam de discussões científicas adicionais para que isso aconteça.

“Na METI International, estamos empenhados em encorajar um debate mais amplo sobre os prós e os contras de transmitir mensagens intencionais para o espaço”, disse.

Um conselho consultivo de mais de 50 estudiosos de 16 países, representando uma ampla gama de disciplinas nas ciências, humanidades e artes, foi convidado para fornecer suas ideias.

Em 25 de maio de 2017, haverá um workshop em St. Louis, Missouri, que discutirá dois problemas inter-relacionados do METI.

“Primeiro, quão detectável é a vida na Terra – seja a vida microbiana, seja a vida tecnológica percebida através da radiação que vazamos. Em suma, é tarde demais para ficar quieto? Em segundo lugar, como equilibrar os riscos e benefícios do METI, e quais são as questões relacionadas com a política e ética. Estas são questões técnicas, profundamente científicas, mas também têm um impacto mais amplo na sociedade”, concluiu.

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